sábado, 18 de abril de 2009

TUDO A VER!

A tecnologia muderna tem lá suas vantagens. Acabei de ver no Google Videos o documentário Muito Além do Cidadão Kane produzido pela BBC de Londres. Confesso que não vi o filme de Orson Welles, logo somente imagino a intenção do título, entretanto saquei o que o filme quis dizer.

É um documentário que desentranha as licenciosidades da unânime Rede Globo. Recorrentemente nós freqüentadores deste blog quando nos encontramos discutimos a influência da mídia sobre a vida cotidiana do Brasil. Surgem então vários comentários sobre como a Rede Globo comanda este país. Via de regra, esses comentários são bastante rasos, e não sem razão, uma vez que é tarefa árdua angariar informações contra o Brainiac Tupiniquim.


Este documentário mostra como Roberto Marinho, e agora seus descendentes, agem na prática, mostrando acordos com políticos (desde ditadores até ACM e Collor), matérias deveras parciais em prol de uma certa parcela da sociedade e outras cositas mas...

O documentário foi proibido (ou será CENSURADO?) por meio de Ordem Judicial, porém caiu nesta rede que tudo possui. Só assim para escaparmos do PLIN-PLIN. Através de blogs ou Googles, etc.

Agora uma coisa é fato: fiquei mais puto com o Lula, que foi sacaneado pela emissora e ainda assim liberou a grana do BNDES para que a Globo Cabo não quebrasse.

http://video.google.com/videoplay?docid=-570340003958234038
Recomendo conexão Banda Larga pois o vídeo é bem grandinho.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Para discutir o machocentrismo

Caros correlegionários,

continuando minha incessante divulgação de idéias e de boa literatura, envio-lhes um link para um clipe do livro "Prostitutas, Bruxas e Donas de Casa - Notícias do Éden e do Calvário feminino" do escritor Ezio Flávio Bazzo, o mesmo do post anterior, e que serve, o clipe, para criarmos aquele movimento gostoso (vixe!) que chamamos comumente de "indagar". Espero uma participação em massa, pois é um video realmente muito bom!
Abraços.

o Link: http://www.youtube.com/watch?v=NfowA_rEAu4

Tiago Araújo

terça-feira, 7 de abril de 2009

Lançamento de um livro muito bom

Caros Correlegionários,
estou aqui para, mais uma vez, divulgar a boa e velha literatura.
Trata-se do lançamento de alguns livros do escritor catarinense Ezio Flávio Bazzo, que tem uma pegada meio pasoliniana, a la Gregório de Matos. O evento, contará com a presença do poeta e ensaísta Glauco Matoso e do professor da USP e escritor Antonio Vicente Seraphim Pietroforte, que juntamente com o Ezio, debaterão transgressão, interdições e literatura. Abaixo mais informações sobre o evento e sobre os particpantes. Abraços.
Tiago.
Quando: 18 de abril de 2009, sábado, das 19h às 22h
Endereço: Al. Lorena, 1731 - Jardins Telefone: 3062-1063
Ezio Flavio Bazzo, neto de comerciantes italianos, nasceu em Santa Catarina, em 1949 e mudou-se ainda criança para o Paraná. Iniciou os estudos em sociologia na cidade de Londrina (PR), transferindo-se em seguida para o curso de psicologia. Cursou mestrado em psicologia clínica na Universidade Nacional Autonoma do México e doutorado na Universidade Nacional de Barcelona, com uma tese sobre Wilhelm Reich. Mais tarde dedicou-se a um pós-doutoramento no Instituto de Altos Estudos da América Latina, em Paris. Apesar dessa longa permanência no meio acadêmico, Bazzo considera o estudo formal uma grande fraude, um adestramento desnecessário e inútil que vai deixar limitações e cicatrizes profundas na capacidade de pensar dos estudantes e dos futuros doutores. Bazzo faz questão de ressaltar e de colocar em primeiro lugar sua bagagem como autodidata e como viajante inveterado. A maioria de seus vinte livros editados foram escritos pelo planeta afora, nas ruas, nas bibliotecas, nos trens, nos navios, nas carroças etc. Pai de dois filhos, nunca deixou de fazer críticas radicais tanto ao casamento (uma idiotice compulsória) como à família, segundo ele o mais importante foco de psicopatologias. Nos últimos vinte anos Ezio Flavio Bazzo vem dividindo seu tempo entre o trabalho de psicoterapeuta, entre a produção de seus livros e as viagens.


Glauco Mattoso nasceu em 1951, em São Paulo (SP). Cursou biblioteconomia na Escola de Sociologia e Política de São Paulo e letras vernáculas na USP. Nos anos 70 participou da resistência cultural à ditadura militar através do grupo dos poetas marginais. Além de editar o fanzine poético-panfletário Jornal Dobrabil (trocadilho com o Jornal do Brasil e o formato dobrável dos folhetos satíricos), colaborou em diversos períódicos da imprensa alternativa, tais como o tablóide gay Lampião e o humorístico O Pasquim. Na década de 80 publicou trabalhos em revistas como Chiclete com Banana, Tralha, Mil Perigos, SomTrês, Top Rock, Status e Around, ensaios e críticas literárias no Jornal da Tarde, além de diversos volumes de poesia e prosa. Em 1982 editou a Revista Dedo Mingo, como um suplemento do Jornal Dobrabil. Nos anos 90 perdeu por completo a visão em decorrência do glaucoma de que sofria há anos. Deixou de lado a criação gráfica (história em quadrinhos e poesia concreta) e passou a dedicar-se a escrever letras de músicas e à produção fonográfica. Com o professor da USP Jorge Schwartz, ganhou o Prêmio Jabuti pela tradução que ambos fizeram da obra inaugural de Jorge Luis Borges, Fervor de Buenos Aires. Nos anos mais recentes, retornou à criação de poesia escrita e textos virtuais, produzindo textos e poesias para a internet, colaborando em revistas eletrônicas e impressas, tais como a Caros Amigos.


Antonio Vicente Seraphim Pietroforte nasceu em 1964, na cidade de São Paulo. Formado em Português e Lingüística, é mestre e doutor em Semiótica e Lingüística Geral pela FFLCH-USP, onde leciona atualmente. É autor do romance Amsterdã SM (2007) e do livro de poesias O retrato do artista enquanto foge (2007), pela editora DIX; e dos livros Semiótica visual: os percursos do olhar (1ª ed 2004; 2ª ed 2007) e Análise do texto visual: a construção da imagem (2007), pela editora Contexto. Nos anos de 2005-2006 coordenou, ao lado do poeta Frederico Barbosa, o projeto Rompendo o Silêncio, na Casa das Rosas. Em 2006 coordenou o projeto Escritor nas Letras, em parceria com o Centro Acadêmico de Estudos Literários e Lingüísticos Oswald de Andrade. Em 2008 é integrante da Câmara Setorial de Literatura da Secretaria de Estado de Cultura de São Paulo, administração João Sayad.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

ALUCINÓGENOS, DIPIRONA, VITAMINA C, DERIVADOS

Senhores, hoje estou escrevendo de um jeito diferente neste belo espaço onde estamos tão aconchegados pra indagar, ñ tenho um assunto em questão só a vontade de escrever, com uma gripe que já virou um virus mutante a lá wolverine.
Mais o que gostaria de deixar registrado foi o momento que presenciei no ultimo sabado 28, na apresentação do A.D, é coisa de roteiro de artista antes da overdose de acido, veio!!! Chamando o publico e a energia da casa diz simplesmente tchau!!! eu confesso que qdo vi as luzes apagando pensei: -Esse é o Claudemir fazendo um clima, bom! Porém qdo Avisto Sachão fazendo aquele gesto com a cabeça falei vixi!! E sabendo de todas complicações que DUAS RODAS, teve para sair da garagem, fiquei com aquela vontade de chutar o saco de papai do céu!(que ñ me caia raios foi só um pouquinho!) Mais ao ver Darkney, sombrio, e solido como diz o seu nome artistico a única reação que nos restou, a mim e Sacha foi correr atras das velas, e digo foi poetico, velas violão do Tarcisio por mim ficava sem sonoplastia(já que a força voltou no meio do espetaculo, vc achava que era pouco!! rs) Pois bem . O catarro tá entrando cerebro a dentro e tá didficil digitar(viu), então vou ficando por aqui se alguém conhecer uma bezendeira pois faz 2 meses que to gripando dizem que para de beber ajuda, mais é melhor ñ tentar dá que acostuma!! E sobre minha escritas tomei coragem de fazer uma cantiga sobre um tema que é meio indagoso(indagoso: assunto mal resolvido que se torna neurose, "definição by nando z" ) e para tanto to usando o meu perfil no orkut escrevendo estrofes conforme eu sinto, sem pressa e é isso já enchi demais linguiça valeu!!!





POR LETRADO IMPORTUGUAVEL!!!

domingo, 29 de março de 2009

DEBAIXO DE ÁGUA E NO ESCURO CORREMOS SOBRE DUAS RODAS

Este grupo de teatro é o mais rock n roll que eu já vi. Acordei cedo e fui para o 10º Congresso Brasileiro de Entregas Rápidas e Encomendas Expressas no Clube Sírio (lá na avenida Indianópolis). Macedão me pegou em São Miguel e fomos de carro. No carro, ele me informa que não poderá fazer seu personagem na apresentação. Quem me conhece sabe que sou péssimo pra decorar texto, mas tudo bem. Eu faria o Murilo. No congresso, conheci pessoas da área - muito legais e anteciosos. Divulguei a apresentação do dia 04, olhei as meninas de aluguel - aquelas sexys que vendem qualquer produto - almocei boa comida com talheres de prata, não roubei nenhuma taça e voltei para Zona Leste. To no trem, Marcão me liga. "Onde ce tá?", "No Brás. Vai montando o cenário que eu to chegando". "Montando o quê? A Amadeu virou um rio; não dá pra entrar. to em casa, quando a chuva maneirar, eu volto.". Ok. Cinco minutos depois - isto era três e cinco da tarde, Bá e Hayashi me ligam, felizes porque chegaram e comendo meu rabo por causa do atraso. Eles e Isa na Oficina começam a montar o circo, digo, o teatro. O trem parte. Desço em São Miguel. Cinco e meia está tudo certo. Um copo de vinho, um Marlboro. Engenheiros do Hawaii. Dança e piadas. Esta é a nossa concentração antes do espetáculo. Karen Danielle deu o primeiro passo para buscar o público. Acaba a energia elétrica assim que Hayashi liga o primeiro refletor. E agora? Decidimos apresentar sem técnica. Colocamos o publico em seu lugar, e começamos. Hayashi mandou bem e criou climas perfeitos com o violão do Sacha Arcanjo, enquanto ele (Sachão) e Nando Z acessoravam acendendo velas, mandando o cara do carro abaixar o som, e coisas assim.
No meio da peça, a energia elétrica voltou. Interrompemos a apresentação, ligamos a técnica e o show continuou. Foi o máximo!
Depois, tradicionalmente no bar do Didi a noite terminou entre Marlboros, cervejas e talaguetas (leia-se velho barreiro com limão). Mas aí é outra história. Públicos, colabores e atores de parabéns. Agora, quem perdeu, nunca mais nos verá em uma performance louca assim. Os contratempos só confirmaram o que já sabíamos: nada pode parar esta locomotiva intitulada Alucinógeno Dramático! Por isto, aceitem o conselho do bom e velho Marcelo Nova: "EITA DIABO! SAI DA FRENTE!"

quinta-feira, 26 de março de 2009

SOBRE DUAS RODAS ESTRÉIA EM SÃO MIGUEL. DEPOIS, SEGUE PARA SANTO ANDRÉ

SOBRE DUAS RODAS ESTRÉIA EM SÃO MIGUEL. DEPOIS, SEGUE PARA SANTO ANDRÉ

O espetáculo SOBRE DUAS RODAS estréia sábado, dia 28 de Março, às 17 horas, em São Miguel e depois, dia 04 de Abril no Anfiteatro da SEST SENAT (Rua Vereador José Nunes, 300) às 15h. Com o elenco definido e “tudo ok”, a peça chega ao ensaio final, com a presença do público – amigos e admiradores do grupo que marcarão presença (os interessados devem enviar e mails pedindo o ingresso.
A peça conta a história de Giovanna que, cinco anos após a morte do pai em um acidente de moto – o que a deixou seriamente traumatizada – terá que enfrentar seus medos ao saber que Anderson, seu marido, e Beatriz, sua melhor amiga, vão “encarar um trampo de motoboy”.
Politicamente correta, com cenas emotivas e uma trilha sonora de hits, o espetáculo é, sem dúvida, o mais leve do grupo. Partindo da idéia de Ananias Macedo (empresário que faz pequena participação na peça), Claudemir Santos criou um roteiro não apenas para treinamento e conscientização dos motoboys, mas que pudesse ser assistido e assimilado por qualquer pessoa que gosta de uma boa peça teatral – no mais, pedestre e motoristas também fazem parte do trânsito. A reeducação e conscientização deve ser geral, e não apenas direcionada.
A peça é conduzida pelo trio Marcos Antonyo (interpretando Anderson), Isa Diaz (interpretando Giovanna, papel que teve inicialmente Gisélia Lima e, após, Carol Moisés) e Clara Barbosa, criando uma inesquecível Beatriz, ao vivo! Coadjuvando, temos Bárbara Ramos (interpretando a malvada e trapaceira Valquíria) e Ananias Macedo, fazendo o empresário “bom samaritano” Murilo. Na técnica, temos Tarcísio Hayashi, auxiliado por Claudemir Santos, que assina a direção do espetáculo.
“Sobre Duas Rodas” tem a vida estimada de seis meses. Nasce dia 28 agora após uma gestação de vários meses. Nasce onde nasceu: em São Miguel. Não perca! Partos assim não costumam mais acontecer nos dias de hoje!

DIA 28 03 09 – 17H
TEMPO: 50 MINUTOS
CENSURA LIVRE
ENTRADA FRANCA

DIA 04 04 09 - 15H
SOMENTE CONVIDADOS
Ingressos antecipados e interessados no dia 04 de Abril: envie e mail para claud-santos@hotmail

quarta-feira, 25 de março de 2009

UM MÊS DE CÃES DANADOS, O LIVRO!

UM MÊS DE CÃES DANADOS, de Moacir Scliar. EU LI! (ou Quando a música nos leva à literatura, e a literatura nos leva à História e, a História, por sua vez, nos leva ao ser humano)

Estava eu na Biblioteca Municipal Raimundo de Menezes, Zona Leste, pleno São Miguel. Durkheim e mitologia grega em mãos. Entro na fileira de estantes e eis que vejo aquela roxa morena de um metro e noventa, mais ou menos. Bela. Os olhos percorrem suas costas procurando aqueles montes salientes – paixão nacional. Melhor que futebol e cerveja. Mas ela não tem. Suspiro revoltado com o senso de humor de Deus, Pai, Todo Poderoso, e ela vira o rosto em minha direção. Faço que não é comigo e olho pra estante e... ele está lá. Preto no vermelho, numa edição surrada de 1977. Bati o olho e a primeira coisa que veio à cabeça foi a frase “Um dia de cão, um mês de cães danados”, da música “descendo a serra”, dos Engenheiros do Hawaii (sexta faixa do lado B, LP Várias Variáveis, BMG, 1991, e eu tenho. Novinho!).
Em primeiro lugar, devo dizer que toda a obra dos Engenheiros – nas letras de Humberto Gessinger – estão repletas de referencias pops, literárias, históricas e cinematográficas. É como ler um mapa com cidades que você já viu e outras que não conhece e precisa visitar para ter um entendimento fiel ao caminho da poesia concreto-progressista de Gessinger. Mas vamos ao livro e seu autor.
Eu já conhecia Scliar de outros carnavais. Minto. Conheço-o de outros natais. Li um conto dele que ocorre no Natal em uma coletânea de contos sobre a tal data festiva. Conto bom. Volta e meia eu cruzo com ele na folha de São Paulo. Encontros casuais. “Um Mês de Cães Danados” me encantou de tal maneira, que desejo em breve ter outro volume do autor em minhas mãos. Narrado em primeira pessoa, temos Mário Picucha (nome fictício do personagem), um mendigo que conta a um turista paulista suas desventuras no interior do Rio Grande do Sul e depois nas ruas de Porto Alegre, tendo em foco existencial o mês de Agosto de 1961, quando Jânio renunciou a presidência. Bem humorado, denso, imprevisível e comovente, o autor nos dá uma visão histórica fascinante: a visão do cidadão comum e apolítico em um universo de ações políticas incorretas. Forte, selvagem, despreparado e desprotegido, Mário nos conduz alucinadamente para um final que jamais abandonará a mente de quem o encontrar. Recomendo a leitura imediatamente!

TRECHO INICIAL DO LIVRO:

“É muito pouco. Isso aí? É muito pouco.

Queres saber da Ema Fugaz? Queres? Então é muito pouco. Queres saber dos bois empalhados? Da tia de Pelotas? Da Carta de Puntal Del Este? Da queda do cruzeiro? Do banco da Província? Do Simca Chambord? Das Cestas de Natal Amaral? Do considerável número de populares bradando viva Jânio? Queres saber de tudo? Querer? Então paga.

Queres saber da vozinha na parede. Queres saber da crise de Berlim. Queres saber dos batelões afundados no Canal do Rio Grande. Queres saber da machine-gun. Queres saber do restaurante universitário. Queres saber do Chevalier Rolland. Queres saber o que aconteceu na praça da Matriz, naqueles dias, há muito tempo.

Queres saber tudo – por uma moeda. Mas vem cá – perdeste a vergonha? (...) Não importa o quanto! Ouviste? (...) Não quero saber de quanto é a tua moeda. O que ela valer será pouco. Já ouviste falar da abóboda de dezoito quilos? Até este dia dezoito, tinhas ouvido falar de semelhante prodígio? Não – não tinhas ouvido falar; portanto, uma moeda é pouco.
Bota mais aí.
Bota um pouco mais, anda.
Bota um pouco mais que eu te conto a história.(...)”

(UM MÊS DE CÃES DANADOS, Moacir Scliar. Porto Alegre, L&PM, 1977)