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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

ARRASTA-ME PARA O INFERNO: SAM RAIMI EM BOA FORMA!


Está nos cinemas o novo filme de Sam Raimi: "Arrasta-me para o Inferno". O criador de "Uma noite Alucinante" está com tudo e não está prosa!

Inteligente, com nojeiras sociais e viscerais, assustador e recheado de surpresas. Em “Arrasta-me para o inferno”, Sam Raimi mete os dedos no sobrenatural e nos traz as entranhas do seu universo mesclando terror à moda antiga, humor, história em quadrinhos e medos primitivos.

Christine Brown, que trabalha num banco realizando empréstimos, para conseguir um cargo superior, nega empréstimo a uma bruxa velha (tirada no mínimo da floresta dos irmãos grimm!) e esta lhe lança uma maldição: em três dias, Lâmia, um demônio que muito nos lembra o mau e velho Belzebu (o deus das moscas: sim, aquele bode humanizado semelhante ao do “Solve et Coagula” dos tratados alquímicos de Eliphas Levi!) arrastará sua alma literalmente para o inferno e, de quebra, nestes três dias, infernizará sua vida, a não ser que ela consiga reverter a maldição.

Maestro nato, o diretor das trilogias “uma noite alucinante” e “Homem Aranha” utiliza sombras, sustos, superstições universais e um ótimo elenco de atores desconhecidos do grande público para dar vida a este belo conto de terror. E Raimi não apela: não há sexo, modelos bonitinhos ou saídas fáceis em seu filme: apenas pessoas comuns que, se em um primeiro momento estão preocupadas em vencer financeiramente na vida, no outro descobrem que há algo mais importante que o vil metal: a necessidade de respirar e caminhar pela terra, possibilitando o simples ato de viver o máximo de tempo possível sem ser arrastado para o inferno.
Recomendo!

SOBRE O FILME:
Título Original: Drag me to Hell
Gênero terror
Ano: 2009
País: EUA
Diretor: Sam Raimi (A morte do demonio. Uma noite Alucinante 2 e 3. Homem Aranha 1,2,3)
Elenco: Alison Lohman, Justin Long e Lorna Raver
Duração: 1h39

Site oficial: http://www.dragmetohell.com

terça-feira, 7 de julho de 2009

Oficina de Criação Literária em São Miguel - Agosto

(P(ré).S(criptum). Claudemir, deixei um comentário no seu texto sobre o Atílio Garret e me desculpe por mais uma vez usar este espaço para autopromoção, mas é a recessão, é a cries, sacumé quié né?)

Caros correlegionários,

escrevo para avisar-lhes que agora em agosto ministrarei uma oficina de criação literária na Luiz Gonzaga, terra de Sacha, o suserano boa praça.

A oficina é composta, principalmente, de exercícios práticos de escrita de textos literários, que serão discutidos, sempre, coletivamente, e, também de uma parte teórica que introduz os conceitos básicos dos seguintes gêneros literários:

- Conto (e microconto)
- Crônica
- Romance
- Novela
- Poesia

Para isso, valer-me-ei de recursos audiovisuais como filmes - de longa e curta metragem -, músicas, pinturas, fotografias, powerpoints etc. Ao final - com a ajuda de meu padim Padi Ciço e todo o panteão dos senhores do improvável - editaremos uma fanzine com os melhores textos, de todos os participantes, produzidos ao longo da oficina.

Se vocês têm interesse em literatura - e eu sei que têm - gostam de ler, ou querem mostrar aqueles seus textos que ficam lá no fundinho da gaveta, apareçam, pois, estou ansioso para conhecer a produção literária de vocês, os processos criativos, os estalos, as angústias e as possibilidades imaginativas e insanas que vos fazem utilizar-se da linguagem como tiro de escopeta contra o mundo.

(E se alguém que estiver lendo isso não tiver interesse no assunto, apareça do mesmo jeito: a escrita literária é uma experiência ímpar, talvez vocês descubram um escritor aí, correndo, pulando, xingando, gritando nas veias... nunca se sabe...)

Peço, ainda, mais um favor: repassem essa informação para os amigos, alunos, vizinhos, parentes etc: quanto mais pertence(ntes), melhor a feijoada.... rs.

Abaixo, seguem o endereço, o horário e os períodos de inscrição e de duração da oficina.

Ah, só mais uma coisa, não precisa pagar nada.

OFICINA DE CRIAÇÃO LITERÁRIA - “PRIMEIRAS LINHAS”
30 vagas
Coordenação: Tiago Araújo 12/8 a 30/9
quartas-feiras das 18h45 às 21h45
Público alvo: iniciantes na área
Faixa etária: adolescentes e adultos
Seleção: primeiros inscritos
Inscrições: 27/7 a 8/8

OFICINA CULTURAL LUIZ GONZAGA
Endereço: Rua Amadeu Gamberini, 259,
São Miguel Paulista São Paulo, SP – CEP:08010-110
Telefone: 2956-2449
e-mail: luizgonzaga@assaoc.or.br
Funcionamento: segunda a sexta das 10 às 22.

Abraços cordiais

Tiago Araújo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sujeito-homem, mais um textículo meu pra vocês.

Caros Correlegionários,

o motivo desse post, na verdade são dois:

Primeiro:

Peço que ajudem a divulgar a Oficina de Criação Literária Primeiras Linhas, que começará no dia 12 de Agosto na Oficina Cultural Luiz Gonzaga, das 18:45 às 21:45, às quartas. A oficina será composta de oito encontros onde serão dicutidos - por meio de ilustrações audiovisuais, explanções teóricas e, principalmente, por meio de exercícios práticos de criação literária - gêneros literários como o conto, a crônica, o romance, a novela, a poesia e outros, correlatos a esses. A título de informação, a oficina será ministrada por eu mesmo e atenderá interessados e iniciantes na área, que tenham entre 13 e 69 anos (pode ser mais velho, só não pode ser mais novo!), num total de 25 alunos (portanto, só haverá 25 vagas). Conto o help de vocês e assim que eu tiver as datas referentes ao período de inscrição da OCLG, volto a postar.

Segundo: coloquei abaixo um conto que escrevi hoje, e como faz tempo que não escrevo nada aqui não reclama não Dark'n'Ney(rsrsrs)! Na verdade, na verdade, esse é o provável texto que tentarei adaptar para o roteiro de um curta que terei que entregar como trabalho no curso que estou fazendo (maiores detalhes, leiam o comentário que deixei no post do Hayashi sobre Caetano e o Tropicalismo). Portanto, peço, encarecidamente que o leiam e me digam vossa opinião, para que eu saiba se essa é uma história digna de ser roteirizada.

Abraços,

Tiago Araújo.

sábado, 21 de março de 2009

Uma visita inusitada ao visitante....

Caros correlegionários,

sei que ando muito presente nos últimos dias, mas a necessidade metafilosófica de estar aqui, obriga-me a recorrer ao recurso primordial de nossa comunicação: a escrita.

E faço isso, como o título sugere, por um motivo, de fato, inusitado. Ei-lo: anteontem, quinta-feira, fui ao Teatro Popular do SESI, na Paulista, para assistir à peça "Não sobre o amor", da Sutil Companhia que, aliás, é responsável também por um dos trabalhos mais instigantes dos últimos anos nos teatros paulistas, "Avenida Dropsie", adaptada da HQ homônima de Will Eisner (o mesmo criador de "The Spirit"), que contou com a cenografia impecável de Daniella Thomas - há um momento em que chove no meio do palco durante incontáveis dez ou quinze minutos.

A peça, Não sobre o amor, do diretor Felipe Hirsch, baseia-se no livro de mesmo nome do escritor e teórico formalista Victor Shklovsky, no qual o autor reúne sua correspondência com a romancista franco-russa Elsa Triolet. Mais uma vez, o cenário criado por Daniella Thomas dá um tom intimista à obra e isso é fortalecido pelos únicos atores em cena: Leonardo Medeiros e Arieta Corrêa, que contracenam, literalmente, subindo pelas paredes, pois o cenário é uma caixa gigante presa ao fundo do palco onde estão pregados mesas, cadeiras, a cama etc.

A coisa ruim dessa peça é que, diferentemente da multimídia Avenida Dropsie, não fui assisti-la. Obtive todas essas informações no site do Guia da Folha, pois, com os ingressos na mão, no horário e tomado banho, não pude ver a peça porquê ela fora cancelada devido a problemas técnicos - segundo a atendente da bilheteria. É claro que eu fiquei extremamente feliz: saí de casa com DUAS horas de antecedência, minha mulher saiu uma hora mais cedo do trabalho, enfrentamos um metrô típico de São Paulo (era dia de rodízio, e como o único lugar que queremos defumar é o pulmão, respeitamos a lei.), não jantamos, fizemos três baldeações e ainda pegamos a fila para carregar o bilhete único. A verdade, e aí me valho da teoria que mais gosto, a da conspiração, é que o SESI estava sediando o Encontro Empresarial Brasil e Argentina (entendem o "visitante' do título?) e, evidentemente, fala mais alto quem tem mais dizer... A moça disse que poderíamos trocar o ingresso para um outro dia, ou ter dinheiro das entradas de volta. Escolhemos a número um, e para o aumento de nossa alegria, a próxima, que era a também a última, data do espetáculo já estava lotada.

Derramando sorrisos e alegrias pelos poros, decidimos caminhar até a Consolação, pois lá no Conjunto Nacional há um restaurante bacana que, depois das sete, cobra só oito paus no "coma à vontade". Até aí tudo bem, pois nada é como caminhar pela Paulista. É, provavelmente, a experiência mais diáfana que se pode ter sobre São Paulo. Mais do que cruzar a Ipiranga com a Avenida São João, mais do que passar um dia na 25, mais do que ir morrer no Brás. Mesmo que o cenário prevaleça, imponente e glamouroso, as pessoas são todas as pessoas de todos os tipos que compõem a massa disforme, grossa, que se desloca de uma lado, num movimento ora centrífugo, ora centrípedo, dentro dessa caldeira de insanidades que é nossa cidade.

No restaurante a promoção que nos atraíra havia acabado e os preços estavam deste tamanho. Decidimos por comer um lanche qualquer e fomos ver o que estava passando no Cine BomBril, afinal já estávamos ali mesmo.

Assistimos ao filme "O Visitante" - roteiro e direção do americano Tom McCarthy, que já havia dirigido "O agente da estação de 2003 - e, foi a melhor coisa que aconteceu naquela quinta de quase outono, em que o Éolo mais parece uma puta cara fazendo cafuné em seu melhor cliente.

Walter Vale, protagonista vivido pelo ator Richard Jenkins, é um viúvo que há vinte anos é professor de uma faculdade em Connecticut. O pó amarronzado de seu ofício é notado quando um aluno lhe cobra o plano de trabalho daquele ano e, na cena seguinte, ele aparece passando corretivo na data do plano do ano anterior.

Walter é obrigado a ir para Nova York como representante da faculdade em um congresso. Chegando em seu apartamento, ele se depara com dois estranhos vivendo lá. Um casal de estrangeiros, Tarek e Zainab, que alegam ter alugado o apartamento de um corretor.

Compadecido dos "hóspedes", ele decide deixá-los ficar. A partir daí, o convívio faz com que se aproximem tanto que Tarek, que é percussionista, ensina Walter a tocar djembê e o leva para tocar consigo no Central Park.

O que mais chama a atenção no filme, sem dúvida, é a simplicidade que permeia os conflitos, e ainda assim, a capacidade do diretor em criar uma ambiente de constante tensão. Evidentemente, com as atuações do elenco, essa não é uma tarefa difícil. Não sou dramaturgo, não sou ator, mas tenho a impressão de que no filme os personagens são sentimentos e não pessoas com sentimentos. Por exemplo, Zainab, namorada de Tarek vivida pela atriz Danai Jekessai Gurira, é a própria desconfiança. O fato de ela e seu namorado serem imigrantes ilegais, faz com desconfie até mesmo de Walter que se mostrou tão caridoso; Tarek é a imagem poética da música, do prazer de viver, de respirar sem medo, de conhecer; Walter é o exato oposto disso. Logo no início do filme, após uma aula de piano com sua professora particular, ele pede para que ela não volte no dia seguinte, confusa, ela pergunta se ele vai desistir e diante da resposta negativa, ela lhe pergunta quantos professores ele já teve antes dela e quando ele responde que foram quatro, ela lhe fala o seguinte: ... o senhor sabe o quanto é difícil uma pessoa na sua idade aprender piano? ... Ainda mais quando não se nasceu com um talento natural para a música, como o senhor... Mudar de professor não vai resolver o seu problema. Mas se o senhor for mesmo desitir, por favor me avise... eu gostaria de comprar seu piano...; A mãe de Tarek, Mouna (Hiam Abbas) que havia fugido da Síria há anos devido à perseguições políticas que levaram á morte de seu marido, é o deslumbramento pueril e imaculado do migrante que, pela primeira vez, conhece lugares e coisas que antes só conhecia pela televisão, ou por fotos.
Já disse: não sou ator e tampouco li Pirandello, ou Stravinsky, mas as atuações realmente me impressionaram.

A trama toda é rasgada por uma explícita crítica ao preconceito americano com imigrantes e ao modo como são feitas as "investigações" para se deportar alguém do país, depois do onze de setembro. O tempo inteiro símbolos americanos são apresentados ao lado de situações paradoxais, como quando Tarek é preso pela imigração e na parade do centro de detenção aparece um cartaz onde se lê: os imigrantes são a força dos EUA.

Além de tudo isso, O Visitante traz à tona a questão do cansaço de ser você mesmo a vida toda. De ter o mesmo trabalho, de tentar fazer as mesmas coisas, de fugir daquilo que é novo, de fingir importância naquilo que faz há muito tempo.

Poesia em seu estado mais sincero. Assitam.

P.S. na sáida, extasiados, caminhamos de volta até a estação Triannon, pra dar tempo de fumar um cigarro, discutir o filme etc, e, na calçada do parque Triannon, bem na parte que em o Bandeirante, brota imperioso da calçada, nos deparamos com um ser sem cor e com cheiro, aliás muito forte, que falava ao telefone sem fio (sem fio, sem antena, sem sinal, sem tecla) com seres intergaláticos... É São Paulo... Ainda bem...

sábado, 14 de março de 2009

Timidas Impressões

Então, pra nascer nasci já nos disse Neruda, após mais de vinte anos de espera nasceram as imagens de uma série de Alan Moore que ajudaram a delapidar uma geração de criadores e pensadores, nós os órfão de Twim Peaks, a geração de autores criadores que vibraram sua adolecência nos anos oitenta, esperamos sim sem nenhuma vergonha disso, por mais de vinte anos pela filmagem de Watchman, sonhamos ver personificadas as ações daquele monumental Roschach ( o personagem que todos nós desejávamos ter criado) na tela do cinema. Fui sim e vi, com um frio inusitado na barriga desse poeta acostumado as interpéries da palavra escrita, eu degustei mais de duas horas de de uma trama inteligentíssima elaborada pelo genial Alan Moore, o filme superasse na fidelidade as cenas de luta que Moore criou em nossa imaginação,o elenco escolhido para representar os personagens, não está tão perfeito quanto a seleção que eu e Claudemir Santos fizemos a dez anos atrás, mas deve ser aplaudida.
O filme derrama por todos os lados talento e inteligência, o tema infelizmente continua atual, pois vai além da questão da guerra fria, caminha pela sinuosa trilha de uma realidade firmada em um capitalismo ditatório que oprime e estatiza nosso livre pensar.O pecado ficou para o final alterado para satisfazer uma regra de mercado piegas, que vende a idéia do emburrecimento sistemático do público. Mas mesmo assim o filme ainda merece ser visto, por quem leu e por quem não leu, para quem leu é a magia de ver na grande tela as sardas de Roschach e para quem não leu, sofrer a implacabilidade da escrita de um gênio chamado Alan Moore, com personagens densos, que mesmo fantásticos são tão plenamente próximos a nós que chegam a apavorar.
Segue a dica, veja Watchmen e delicie-se com as tortuosas origens do pensamento de criaturas tão controversas como Ivan Néris, Claudemir Santos, Nando Reis, Escobar Franelas, Arnaldo Antunes, Paulo Moska entre outros.

sexta-feira, 6 de março de 2009

"Joga no Bicho!" - O Filme

Atendendo ao requerimento do sr. Dark´ney, mentor-mór dessa merda toda, vou tentar falar um pouco do vídeo "Joga no Bicho!", de 01 minuto, feito para o festival homônimo dirigido pelo grande Marcelo Masagão, aqui mesmo na Sampalândia.

Pois bem, certo dia de janeiro p.p. estava indo para o trampo quando desci do trem na Estação da Luz e um pombo me alvejou com uma senhora cagada bem no cucuruto. Falar que fiquei fulo é uma poética redundância. Mas eis que chegando no serviço comentei o fato como Wally, amigão das antigas, editor de mão cheia, cursando audiovisual e um criador de cérebro cheio.

"Vamos fazer um curtametragem sobre isso?", foi a deixa dele, que me fez ficar pensando e, ao fim de umas duas horas depois, combinamos de fazer o trabalho. O roteiro básico escrevi no mesmo dia, à noite. Depois disso, determinamos que seria primordial envolver o máximo de gente possível, para que não batesse uma preguiça e desistíssemos do projeto. Sabe como é, né? Muita gente envolvida aumenta a responsa... e aí é mais difícil dar passos pra trás, desistir, protelar, essas coisas.

Escrevi um rascunho de roteiro pensando numa cena com um engraxate e dentro de uma estação de trem, mas rolou uma burocracia enorme junto aos órgãos competentes e fomos aos poucos repensando as cenas, mudando o eixo central para uma praça qualquer. Afinal, o que não falta em cidade grande é pracinha abandonada com pombos arrulhando às tontas. Feito isso, convidamos o Giba de surpresa para um dos papéis. A surpresa deve-se ao fato de que ele é um dos melhores cameraman que conhecemos, excelente fotógrafo visual e dono de uma vastidão em conhecimento de câmera. Desde o início, porém, pensei nele para fazer uma determinada cena, pois sabia que sua expressão facial era adequada para o que pensávamos.

Para compor a cena com ele, convidamos o Luka Magalhães, ator(e diretor) de grandes sacadas cênicas. Não deu outra, os dois se entenderam muitíssimo bem desde os primeiros momentos, e tudo rolou às mil maravilhas. Como havia a reserva de dúvidas se o Giba iria conseguir gravar ou não(a experiência de atuar era uma novidade para ele), incumbi o mister Claudemir Dark´ney Santos para estar lá. Dono de uma já lendária latitude de aulas, criações, montagens, direções e atuações em palcos diversos, ele tornou-se "reserva técnica", caso o Giba não pudesse atuar. E também porque seria útil para todo o processo de produção, direção e mais um monte de ão durante as filmagens. Meu grande desejo é dirigi-lo um dia, e espero fazer isso brevemente. Por ora, consegui "arrumar" um papel especialíssimo para ele na composição da cena, coisa que só verão aqueles que se dispuserem a ver o vídeo.
Filmamos tudo no domingo de carnaval e na terça-feira o incansável Wally já tinha editado. O Sandro, figuraça que namora a Roberta - também ela grande artista plástica, arte-educadora e atriz - ficou incumbido de tratar da trilha sonora e fez um grande gol. Pena que não pode entrar, pois a confecção da música iria atrasar a data limite da entrega, que era 28 de fevereiro. Aí surgiu uma caca sobre a qual assumo integralmente a responsa: o cast final do filme apresenta o nome do Sandro como sendo o autor da trailha mas NÃO É. Preciso assumir erros que permeiam o trabalho, e esse é um deles(com certeza o mais grave). Dada a urgência de cumprimento do prazo para a entrega do filme, não foi mais possível corrigir os créditos e o vídeo foi postado com este erro.
De qualquer modo, a música está sendo reescrita e vai reeditada no filme assim que estiver pronta. Por ora, o que ficou foi a música-guia que tínhamos utilizado só para a edição de vídeo e - confesso - ficou bem legal assim mesmo. Agora que já está, peço ao pessoal para fazer uma visitinha e comentar depois. Beleza?

http://www.festivaldominuto.com.br/templates/UserPage.aspx?userId=11003

Há braços,

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Alan Parker - Muito Estranho

Finalmente assisti Coração Satânico (Angel Heart), filme de Alan Parker de 1987.
Esse tal de Parker é um sujeito no mínimo insólito. O primeiro filme que vi deste diretor foi Fama (Fame) de 1980, que achei um puta filme e agora acabei de ver Coração Satânico em que o diretor usa uma linguagem totalmente diferente do Fama.
O primeiro filme é leve, descontraído, SEM SER IDIOTA (sim, isto é possível) e Coração Satânico, como diria Barbara Ramos é um filme "assustador, proibido para crianças e que dá pesadelo".
Trata-se de um suspense com um toque noir, em que um detetive é contratado por Lous Cypher para encontrar um Crooner que tinha uma dívida com ele. O filme segue com o detetive totalmente perdido, atrás de um cara que simplesmente sumiu no mundão véio sem porteira...
Não vou escrever mais sobre o desenrolar do filme, porque é sacanagem com o cabra que não viu assistiu.
Alan Parker leva seu personagem até o sul dos EUA, mostrando as diferenças de cultura existentes na América, com os Blues de New Orleans (e vendo as cenas do filme, eu fique mais puto ainda com o relapso Bush, quando da passagem do Katrina), as diferenças religiosas, pois os sulistas seguem religiões de seus ancestrais, totalmente desconhecidas em outras partes do país, e com respostas afiadas de seus personagens, mostra que existem diversos tipos de pessoas, e que é cada um na sua saca?
Notem que não quero dizer que o filme trata dos conflitos descritos no parágrafo anterior, mas que o diretor durante o suspense ainda consegue pincelar estas questões.
Por estas e outras estou colocando nesta data o Alan Parker entre meus diretores preferidos. GRANDE MERDA né? É, também acho.
Só para não passar em branco, Louis Cypher é interpretado por Robert de Niro (que aparece cinco minutos e fode tudo!).

sábado, 10 de janeiro de 2009

DEUSES E MONSTROS

Encontrei recentemente, pesquisando sobre filmes de terror e personalidades desta área cultural para nosso possível “Drácula”, uma fita chamada “Deuses e Monstros”, que dá ao espectador os últimos momentos da vida de JAMES WHALE em 1957. Quem é James Whale? Simplesmente o cara que forjou na mente da cultura ocidental a imagem do monstro de FRANKESTEIN como todos nós conhecemos: a figura eterna de BORIS KARLOFF (sim, exatamente esta imagem que veio a sua mente).
No filme, James Whale (interpretado fantasticamente – e não é pra menos – por Ian Mckellen) já está longe de Hollywood há tempos, sofreu um derrame que, se não o privou de movimentos físicos, em troca lhe deixou uma eterna e evolutiva tempestade mental, destruindo qualquer barreira entre passado, presente e criação artística. Homossexual, incompreendido e totalmente isolado do mundo, este “velho pederasta de Hollywood” começa a desenvolver amizade com seu tosco jardinheiro, o semi troglodita Clay Boone (Brendan Fraser, trabalhando muito bem. Se você não o considera um bom ator, aconselho que pare de assistir estas múmias que ele fez e procurar seus filmes de arte. O cara é bom, acreditem!).
O lance do filme que nos segura diante da tela é justamente o conflito entre as duas visões humanas sobre a vida, o que dá margem para refletirmos sobre aquelas conversas incoerentes de que “o artista está mais próximo de Deus” ou “os artistas tem uma responsabilidade social muito maior do que qualquer outra classe”, e por aí vai. Whale não é artista porque quer mudar o mundo, e Boone não é jardineiro porque é apenas isto que ele pode ser na sua “miserável vida comum.”
Final surpreendente; uma passagem totalmente politicamente incorreta com a então princesa Margareth da Inglaterra; motivos para rir, chorar e refletir e um dos poucos filmes que justificam o slogan do cartaz: às vezes a realidade assusta mais que a ficção.
Baseado no livro “THE FATHER OF FRANKENSTEIN”, de Christopher Bram, o filme é uma biografia com toques fictícios (o jardineiro não existiu realmente). Ainda temos no elenco Lynn Redgrave, Lolita Davidovich e Kevin J. O’Connor.
Indicado para três Oscar, ganhou o de roteiro adaptado e mais uma talaguetada de premiações tanto para o elenco como para a equipe técnica. O filme é essencial para quem quer conhecer a história do cinema e seus diretores, um bom começo.

DEUSES E MONSTROS
(Gods And Monsters)
EUA 1998
Direção: Bill Condon
Elenco: Ian Mckellen, Brendan Faser, Lynn Redgrave, Lolita Davidovich, Kevin J. O’Connor
(Alpha Filmes)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Crepúsculo para Simone

Há exatas duas semanas surgiu a idéia de escrever, sobre o ultimo filme dirigido por Catherine Hardwicke , Crepúsculo, tinha tudo para ganhar uma critica no blog, um filme sobre vampiros,( tema que me atrai muito) e, até o ano de seu lançamento, o filme de maior bilheteria em sua estréia dentre os dirigidos por uma mulher. Crepúsculo obteve US$ 70,6 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos, baseado no livro de Stephanie Meyer, brilhante escritora... Mas enquanto assistia ao filme, constantemente algo que acabara acontecer na minha vida, vinha me perturbar, roubar minha atenção, fato este um tanto quanto inusitado, porém como é de minha natureza, eu ri da situação, e vendo ali na minha frente aquele romance adolescente desenrolando-se, decidi não escrever mais sobre Crepúsculo, foi então que já esquecido na pilha de dvds sobre a televisão vejo um titulo que a muito tempo comprei e esqueci perdido entre tantos outros: SIMONE, que conta que após a principal atriz de seu próximo trabalho desistir do projeto em cima da hora, um produtor decide substituí-la por uma atriz criada digitalmente, sem revelar que ela na verdade não existe. O que ele não esperava é que ela se tornasse um grande sucesso, a chegar ao ponto de atrapalhar sua vida, definitivamente roubando todo o foco, para si, Dirigido por Andrew Niccol (Gattaca) e com Al Pacino, Catherine Keener e Jay Mohr no elenco.
Convido a todos a assistir SIMONE, um filme, que mostra como as pessoas podem ser fraudadas, e mesmo que a verdade esteja bem nas nossas caras, não aceitamos, somos donos da verdade, e quem vai querer admitir que foi enganado? No caso do filme, por um programa de computador. Agora trazendo pra vida real, será que tudo que assistimos, ouvimos e sentimos, seria real? Mas é aquele velha história: “A verdade de um nem sempre é a verdade do outro, por isso verdade não é realidade, mas sim como uma pessoa vê o mundo." Ou como para Nietzsche a verdade é um ponto de vista. Ele não define nem aceita definição da verdade, porque diz que não se pode alcançar uma certeza sobre isso. Daí seu texto "como filosofar com o martelo". Existem outros que afirmam que é com freqüência mais fácil fazer as pessoas acreditarem numa grande mentira dita muitas vezes, do que numa pequena verdade dita apenas uma vez. Como no caso do filme SIMONE, cansado de ser deixando pra trás e de todo o prestigio ficar com Simone, o seu controlador (Al Pacino), decidi contar a verdade, conclusão: para quem ele contou, achou que ele estava bebâdo, ficando louco, ou talvez fosse uma jogada de markentig.
Dentre essa mulher perfeita, criada por computador, ou as mulheres “imperfeitas”, diretora e escritora de um best seller, decidi também escrever sobre as imperfeições, e as mentiras, do que a gente assisti ou lê, de certa forma acabei por falar também de Crepúsculo, que apesar de ser um romancezinho, americano e adolescente, tem vampiros, e isso o fez ganhar alguns pontos no meu conceito.