sábado, 10 de abril de 2010

EU Acordei de sonhos intraquilos


Otto se utiliza da frase de Kafka para nomear seu novo disco. A resenha vem tarde, mas o blog não pode ficar sem esta. Este disco tem uma cara de reborda que é foda. Depois de Condom Black, clima de festa, alegria e peruada o cara vem com este disco com cara de reborda, que só quem experimenta saca. Reborda pura (não da pura!). Mas é muito bom. Visceral. Louco. Cru. Roto. Escroto. Esta é a formula de Otto para este disco (a mesma de Condom Black) só que para um outro lado da alma humana. Com produção de Otto e Pupillo (Nação Zumbi) o cara soa moderno e não soa babaca. SIM, ISTO É POSSÍVEL. Quem quiser que ouça. Para estes hippies da Vila Madalena, do Bloco de Pedra, do Casa de Farinha, do Móveis Coloniais de Acajú, Mombojó entenderem o que é essa merda de música de verdade. E o Candomblé ainda está presente no disco, como no anterior. Com regravações de Mautner (Lágrimas Negras) e Sérgio Bittencourt (Naquela Mesa).

Naquela noite que chamei você (,) FODIA!

3 comentários:

Blog do Akira disse...

Se é tão bom assim vou procurar e ouvir.

Cheiro de flor disse...

Eu gosto e muito!

Claudemir "Dark'ney" Santos disse...

Ouvi algumas faixas do disco kafkiano de Otto no carro de Hayashi, portanto, meu comentário é parcial - e, no entanto, certeiro até onde vai.

Do que ouvi, gostei.
Gostei até porque escuto isto há tempos.
A dor de corno, o ritmo brega e o linguajar não me mostra nada de moderno - ou contemporaneo, como seria o dizer correto - e sim um som nostalgico (apesar das pitadas remanescentes do mangue e dos beats aqui e ali entre as faixas: ou seja, a fusão de Science continua de alguma forma),
É um som velho e conhecido, que meus irmãos ouviam ali no brega - principalmente a primeira faixa, que se tocar num cabaré, ou melhor, na zona do baixo meretrício, ninguém vai estranhar. Não chega a um clima de Amado Batista - que é mestre em letras assim, sem os fodias, é claro (mas escuta pra ver se não fode também!), mas um Valdick Soriano, um Nelson Gonçalves (que aliás, segundo Hayashi, gravou a canção de Bittencourt).
Gostoso, muito bom de ouvir. O melhor ainda é ver a erudição cair por terra e abrir as pernas pra música popular.
E o mais interessante: Hayashi disse-me que o CD não foi lançado no Brasil. Quem quiser o CD, tem que comprar importado. Caras, tão ouvindo isto lá fora! Os gringu tão curtindo brega!!!