sábado, 21 de fevereiro de 2009

ARCANJO, FRANELAS, CHAM, DOROTHY & MINHA ARTE

A última semana tem sido corrida e cansativa para mim. Produzir um espetáculo em poucos dias sozinho não é um trabalho fácil. A exaustão está sempre ao seu lado, e você não consegue evitar de pensar que empresários se preocupam muito com grana e que pouco importa o que vá se dizer no palco, desde que isso acrescente alguma coisa na conta bancária. Sim, eu gosto do dinheiro e o quero, mas isto não está acima da minha arte. Mas o momento não é de orgulho, portanto, jogo o jogo dentro das regras e fico esperando minha vez de dar as cartas – e o espetáculo, apesar de diferente das coisas que eu realmente gosto de fazer, não é uma peça ruim – afinal, até Oliver Stone tem suas “Torres Gêmeas”: quem sou eu para negar “Sobre Duas Rodas”?
São tempos difíceis, mas não me deixo abater. Há coisas que valem a pena. Ter ao lado grandes artistas, por exemplo. Ser um fiel colaborador da fomentação cultural que Sacha Arcanjo promove em São Miguel é enriquecedor. Eu tenho observado e aprendido muito. Evento após evento, e o último foi o SARAU FOLIA, percebemos que novas pessoas estão chegando e que o ciclo artístico em nosso bairro está fadado a não parar jamais! Moto contínuo total, com certeza (você já assistiu o filme Kenoma? Assista!).
Alexandre Tavares – Cham da Xerox – também teve estado ao meu lado nesta correria doida, oferecendo transporte, créditos, filmes e um carinho fraternal que funciona como um oásis no deserto árido e quente que foi São Paulo nos últimos dias. Estão vendo? Os cavaleiros solitários nunca estão tão solitários quanto pensam.
Mas ontem, após o SARAU FOLIA, montei na bicicleta em São Miguel e só desci em Ferraz. Era três e alguma coisa da manhã. Desliguei telefones e dormir até às onze, como há tempos não fazia. Acordei, cafezinho básico e coloquei O MAGICO DE OZ no DVD. É um dos filmes mais fantásticos que já vi, do tipo que nos faz admirar Hollywood por suas proezas (o filme é de uma maestria estética e poética que merece um tópico!)
Quando Dorothy e o Espantalho pisaram na estrada de tijolos amarelos, minha mãe invade o quarto e diz “telefone”. Religo o aparelho e, do outro lado, é Escobar Franelas, convidando-me para filmar às sete da manhã neste domingo de carnaval em Osasco. Diz que não aceita recusas. Franelas, escritor, poeta e cineasta genial aprontando das suas novamente e fazendo questão da minha presença. O sorriso de satisfação é inevitável: ter um amigo que você possa dividir vida e arte sem receio é tão raro nos dias de hoje! Aceito muito agradecido pela oportunidade e digo, como gosto de dizer, “Até daqui a pouco” ao invés de “tchau” ou adjacências (com ou sem acento? Ainda não sei).
Desligo o telefone e volto para OZ muito feliz. Amanhã, serei eu no cinema. Refletindo melhor, vejo que filmarei às oito em Osasco e terei que estar às onze em São Miguel para ensaiar. Lá se vão as poucas horas de domingo que eu tinha para dormir, e isto não me importa nem um pouco. Pensando bem, todo este cansaço dos últimos quinze dias que precedem a estréia de SOBRE DUAS RODAS não me incomoda nem um pouco de verdade – mesmo não. Caramba, amigos: estou fazendo o que gosto, o que escolhi para minha vida. Estou exatamente onde quero estar; no caminho que me leva para onde eu quero ir.
Assim sendo, amores e amigos, desejo a todos um ótimo carnaval, uma boa viagem ou um bom desfile. E não se preocupem comigo, eu estarei muito bem, no teatro, no cinema ou na música, acompanhado ou mesmo sozinho, eu estarei vivo. EU ESTAREI FAZENDO MINHA ARTE!

4 comentários:

Nando Z disse...

Meu comparsa vá com fé em ti!!! e acompanha uma inveja saudavel!! deste amigo

Escobar Franelas disse...

Você sempre será intimado a depor, meu caro! Não tenho culpa se você é réu e testemunha...

Tarcísio Hayashi disse...

Bonito não é? Poético até? Patético não é. E chega, do contrário vira poesia.

Claudemir "Dark'ney" Santos disse...

Tá vendo só? É só abrir a alma um pouquinho que todo mundo já quer botar o dedo. Lá, ele!

Aliás, quando digo-falo-escrevo "minha arte" há um pedaço de cada um de vocês. Logo: lá, neles!