terça-feira, 16 de junho de 2009

Verdade (ou não) Tropical

Acabo de ler o livro Verdade Tropical de Caetano Veloso, do qual muitos de vocês já me ouviram insistentemente falar nestes dias de bebedeira.
Pois o livro, segundo o autor, se propõe a falar sobre a experiência tropicalista pela ótica de Caetano, obviamente. Às vezes o livro se torna como que uma auto-biografia, em outros momentos são grandes divagações filosóficas sobre algum aspecto que seja interessante ao escritor. Caetano também fala bastante sobre a história da música popular brasileira no século XX, citando alguns autores, compositores, instrumentistas, que para quem gosta do assunto, são centelhas para correr atrás de mais materiais sobre essas figuras. O mesmo ocorre quando o baiano nos fala sobre filmes que assistiu, livros que leu, pensadores com quem concorda ou não.
Além deste monte de informações soltas pelas páginas, são interessantes as histórias (ou estórias? ou não?) que o tropicalista nos conta sobre outros compositores de sua época, como Chico Buarque, Vandré, Raulzito, explicando alguns pontos de desavenças, ou ainda desavenças pré-fabricadas, ou simplesmente nos conta estórias divertidas.
Também tece comentários sobre sua própria obra e a obra alheia, que podem até se transformar em ensaios críticos. Apesar de se ater mais ao momento da Tropicália, Caetano não se olvida de outros momentos de sua carreira, sendo este um livro bastante importante para entender-se o mundo em que aconteceram as tais obras.
Agora outro aspecto foda do livro é ver que o cara não fez as coisas de bobeira, porque baixou a inspiração, ou porque encheu a cara de álcool, farinha, plantinha ou outras cositas MÁS. O FDP já tinha lido muita coisa, visto muita coisa, conversado muita coisa.
Ressalto que este último parágrafo não é em tom de protesto, ou ainda de distância deste tipo de coisas, só digo que nós não podemos ficar parados enchendo o rabo de pinga e esperando criar coisas boas em virtude de estarmos loucos e encaramos certos aspectos do mundo a partir de outro prisma.
Ficar bêbado é do caralho, mas só isso não basta. OU NÃO!
OU NÃO? OU NÃO. OH NÃO!!!

6 comentários:

Tiago Araújo disse...

Embora meus parcos e parvos conhecimentos sobre Caetano e sua obra me façam gostar menos dele do que de Chico Buarque,por exemplo (só exemplo,não é panfletagem!), concordo com o desenvolvimento da técnica para toda e qualquer atividade, seja ela artística ou não. Estou fazendo um curso de criação literária pensando justamente nisso. nesse curso, um dos módulos é a criação de roteiro de cinema (preparem-se para futuras atuações em um curta que terei de fazer o roteiro como trabalho pra aula) e é, brilhantemente, ministrado por uma figura conhecida como Marne Lúcio Guedes que, entre outras coisas, já trabalhou como roteirista daquele programa da Globo, o Você Decide, enfim, o Marne nos fala mutio sobre as cruezas, vilanias e também das recompensas (ainda que o preço seja a quase que total anulação da criação própria, pois o roteirista, a título de manter-se no emprego - que não paga mal, em hipótese alguma -, está sujeito às decisões do diretor e, principalmente, do produtor) do mundo do roteiro cinematográfico, de tv, teatro etc, e uma das coisas que ele sempre ressalta, e isso, não só no caso dos roteiristas, é que o artista, antes de alçar os vôos que gravaram seu trabalho nas páginas aureas do reconhecimento pela competência artística, deve, antes de tudo, dominar o "feijão-com-arroz" daquilo que se propõe a fazer, em outras palavras é exatamente que o faz e fez Caetano. Ele criou uma obra do caralho? Merecedora de fulgurar entre aquelas representariam não só um movimento encabeçado por ele, mas também uma época e seus ideais? Sim, claro que sim, mas, como Hayashi afirmou, antes de tudo ele preeencheu seus cantis da água do saber, criou os lastros pra sua carreira, o que lhe assegura a audácia, mais que justificável e honesta, de cantar as músicas que ele canta hoje. Portanto, caros correlegionários, escutai a sabedoria que vem do oriente: beber é bom, ser louco é melhor ainda, mas, ter ferramentas para assegurar nossas pirações lítero-protéicas-poético-musicais, é tão vital quanto o próprio ato criativo. E tenho o dito!

P.S. mais uma do Marne: eu sou louco, mas sabe o que me difere de um louco? é que eu nãosou louco.

Tarcísio Hayashi disse...

Concordo com todo o texto do Tiago, e digo ainda que além da técnica, enquanto ferramente para criação, é necessário ter bagagem sabe? Por que se não a gente vai ficar falando sempre as mesmas coisas... e se lamentando sempre sobre as memsas coisas, etc. Por isso acho que temos que ler, ouvir e ver diversas coisas de diversos tipos, para que novas provocações possam surgir nas nossas cabeças, o que influenciará diretamente sobre nossa obra. Caso contrário, corremos o risco de fazer o que o Nando Reis anda fazendo a muito tempo: músicas sobre amor, relacionamentos e namoros (nas palavras do Claudema). Acho que acabei sendo meio redudante com o texto do Tiago, mas é isso.

INDAGUEM GALERA! INDAGUEM!!!

Tarcísio Hayashi disse...

Agora, Tiago, tu tem que ouvir Caetano bicho. O cara é tão foda qto o Chico apesar de levar a música dele pra outro lado, pra um lado UM POUCO mais vanguardista. E o cara tem letras muito fodas (O Quereres, Língua, Estrangeiro, Alegria Alegria, Tropicálica). Concordo que ele grave algumas coisas muito meia-boca mas tá valendo. O Chico gravou com Zeze di Camargo....

Tiago Araújo disse...

Sacrilégio, sacrilégio!!!!!! Malditos sertanejos cheios de dinheiro!!!!!
É bicho, a letra de Quereres é de fudê mermo, bem como a do Haiti, a de Língua, e algumas outras... estou indo devagar mas tô tentando connhecer o cara, o Marrom já tinha me falado o mesmo que você acaba dizer, e acho que ambos têm razão. O foda disso tudo é a perversão que, muitas vezes, leva o cara a gravar alguma coisa de natureza duvidável, porém, acredito que nem sempre seja uma questão de baixa imunidade ideológica, às vezes, pode ser só vontade de gravar algo como "Você não me ensinou a te esquecer", pode ser um momento, ou, e aí entra a perversão, pode algum tipo de imposição, necessidade de reviver o brilhantismo de outra época, de estar em cena, sei lá..., só sei que, mutitas pessoas, principalmente das ggerações mais jovens, vêem a mpb com um grande diário amoroso e, dificilmente, vão em busca da história da porra toda, da vanguarda etc...
É isso! Né foda?

Tarcísio Hayashi disse...

De fato, Caetano grava algumas coisas que não rolam, tipo Sozinho e tal. Mas a obra dele é permeada por canções mais bobinhas. Acho que ele gosta mesmo. Tem um DVD ao vivo em que ele ao fim de Sozinho diz "Essa música é tão bonitnha"...
de uma maneira que ao meu ver é honesta, singela, ele curtiu a música e quis gravar. Nisso eu não vejo nada de errado. Gosto é igual cu. E eu não sou fiscal de cu!

Agora quanto ao resto do povo eu quero mais é que se foda... já me enchi dessa galera, e tem mais, CADA QUAL NO SEU CADA QUAL saca? Se o cara curte, o problema é dele. Eu quero mais é fazer o meu som... do jeito que der, por mais que exista o discurso de que este povo é que fode a porra toda... ou a educação é que ta fudida... Tudo isso é verdade, e eu concordo plenamente, contudo... Acho que se eu fizer a minha arte (oh! que bonito!!) de verdade, eu já estou contribuindo para mudar a porra toda né?

Tiago Araújo disse...

sim, sim, é isso que mantém os aparelhos ligado, não?