sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Semana irada 3 - Um Pé No Cotidiano no SP Cidade da Música



Semana irada 3
Um Pé No Cotidiano no SP Cidade da Música

Soubemos no final de novembro, não lembro dia nem local, Cléston Teixeira, Gilberto Braz, Raberuan e eu que iríamos apresentar o Um Pé no Cotidiano numa 4ª feira, 16/12/2009, às 18h, na Sociedade Amigos de Ermelino, no Projeto SP Cidade da Música. Raberuan também faria uma apresentação solo na Praça Craveiro do Campo – Jardim Helena, no dia 20/12, domingo.
Numa 4ª às seis da tarde, Cléston coçou o queixo e vaticinou: vai ser nóis com nóis. Trabalho, indagas, compromissos mil e só conseguimos bater agenda para ensaio no dia 15/12, na 3ª, véspera da apresentação. 14/12 no Estúdio dos Mi, na gravação de Claudemir e Ivan Neris no Sacha, 60 anos, distribui cópias da última versão do roteiro do espetáculo para Raberuan e Cléston e marcamos para o dia seguinte às 18h em Ermelino.
Dezembro iradíssimo, 15/12, calor derretendo asfalto, suór espirrando dos póros,  consegui sair mais cedo do serviço e toquei para o ensaio, Raberuan no Celular dizendo que estava no Rubão tomando uma cerveja, cheguei por volta das 18h e encontrei-o com Marcelo Valença que também só tinha aquele dia para colocar o pandeiro no solo de Raberuan. Engoli umas duas esmirnofes geladas, parei o carro na porta da casa do Raberuan e apaguei. Acordei totalmente suado e dolorido com Cléston batendo no vidro do carro, Gilberto também já tinha chegado e Marcelo Valença se despedia arrastando sua mochila de rodinhas. 
Entrei na casa tonto de sono e ouvi Cláudia e Raberuan discutindo. Raberuan tipo sem graça pedindo para Cláudia pegar leve e não fazer cena, veja, meus amigos estão aí, temos que ensaiar para o show de amanhã. Mulher bipolar é foda, alterna euforias, depressões e letargias como quem troca de roupa e quando ela me viu veio para o meu lado brandindo um formulário que enxerguei de dentro do meu nevoeiro de sono e vódca, e reconheci uma receita médica e três palavras negritadas: transplante de fígado. É por isso que estou brigando com ele, não tenho razão? Antes que Raberuan tomasse o papel das mãos dela, Gilberto, rápido no gatilho e olhos de águia, também brechou para não deixar-me mentir.
Um nervo profundamente interior estalou dentro de mim e fui ensaiar como um zumbi, uma neve espessa de indiferença foi cobrindo o roteiro nas minhas mãos. Tenho poucos amigos e uma incapacidade crônica para construir novas amizades. Há pouco perdi Valdir Aguiar e não posso dar-me ao luxo de desperdiçar amigos quaisquer que sejam os motivos. A lenta lesma do esquecimento escala as paredes do meu cérebro e deixa um rastro de cristalizada gosma enquanto o cão da insanidade ronda e rosna. No meio de um poema comecei a chorar como uma criança.
Conseguimos passar o roteiro apenas uma vez e pactuamos de cada um ensaiar a sua parte em separado e amanhã é outro dia e tudo vai dar certo.
Dezembro iradíssimo, 16/12, 4ª feira, dia da apresentação, um dilúvio bíblico sobre a zona leste. Combinei com Sueli Kimura às 17h na Marechal em frente à Diccico da Jacuí e para variar ela chegou meia hora depois, eu não aprendo mesmo, pegamos Raberuan e violão na casa dele e fomos à Sociedade onde chegamos por volta de 18h, Ronaldo Ferro estava passando o som com seu grupo e ninguém do projeto no local. Palco pequeno, uns 2.30m por 4.00 se muito e as araras de iluminação praticamente dentro do palco, uma de cada lado com seis refletores iluminando o palco pelas laterais, está errado, falei para o cara da iluminação que me perguntou se eu era da produção do evento. Ninguém da produção no local às 18h30 e com muito custo expliquei para o cara do som e iluminação que no Um Pé no Cotidiano precisávamos de dois microfones lá embaixo na frente do palco, assim como iluminação no local. Dá, não dá, eles viraram dois holofotes laterais sem gelatinas para a frente do palco e expliquei para Gilberto Braz que nós dois ficaríamos com luz  por trás durante a performance. 19h, e ninguém do projeto no local apesar do panfleto dizer que o SP Cidade da Música tinha idealizador, diretor técnico, diretor de produção, produtor de palco, cenógrafo e documentação áudio visual. 19h30 e Raberuan e Cléston foram passar o som, ninguém da produção no local e o público era nóis com nóis e sendo assim porque esperar mais e aproveitamos a passagem do som e iniciamos e realizamos o Um Pé no Cotidiano no SP Cidade da Música. Terminamos às 20h30, muito obrigado pelos aplausos e pedidos de bis e então percebi que o projeto tinha um apresentador que dizia que éramos, Raberuan, Gilberto, Cléston e eu, mestres da cultura popular enquanto câmeras de vídeo estavam sendo dispostas estrategicamente no local.
Dos outros grupos apresentados nesse dia infelizmente só consegui ver o Eder Vicente e sua banda – comento outra hóra - com um som que encheu de ternura os meus ouvidos e aqueceu meu coração áspero nessa semana irada.

5 comentários:

Tarcísio Hayashi disse...

Bom Também! Não pude ir na quarta pois estava trabalhando, mas me parece que o evento estava tão quente quanto na quinta. O público formado apenas pelas bandas que vão tocar, instalações toscas, e eu não digo quanto aos locais. Estes eventos tem que ser feitos lá nos bairros mesmo, mas deve haver um preparo para tal né? E pelas fotos também não tinha cenário. Cadê essa porra? E o Zé da Lua é o cara mais criativo no palco: os mestres da cultura popular..... para TODAS as pessoas que eu vi ele apresentar...

Claudemir "Dark'ney" Santos disse...

Hayashi, você está sendo injusto! O Projeto SP Cidade da Música é criativo, espetacular,abre novos universos artisticos e uma nova perspectiva para a cultura popular local... ao menos na cabeça dos idealizadores que se consideram muito competentes... E sobre o cenário, bem sei o que dizer sobre ele. 2010 vai ser um ano cheio de indagas, acreditem, amigos!

Nando Z disse...

IUPI!!!!!!!!
È o sentimento depois do relato do nosso grande Akira!! quer dizer que ñ é só nois que somos chaaaaatos!!!rsrsrsrrsrs
Otimo texto mermo, e tem que dar uma puxada de orelha em Raberuan, abraço Akira!

RAIMUNDO MARROM disse...

Tanto na Quarta quanto na quinta depois de vislumbrar como estava esquisito e chato os locais preferi desfrutar da Talagueta no boteco da esquina - Um Pé no Cotidiano não cheguei a prestigiar mas achei coerente e necessária a indaga de Akira depois de saber pelo Blog ... Não digo dos artistas que ali passaram, ( não de todos, tem uns que eu indago mermo) mas sim da questão de organização e caretisse dos produtores e apoiadores ...o problema é que eles não seguiram o exemplo do vocalista do M. Salvadora pra tudo funcionar como deve ser... " fechem os olhos e vamos buscar a luz...só pra quem acredita" eu não acredito! mermo não!!

Nando Z disse...

Marrom homem de pouca fé!!!
RSRSRSRSRSRSRSRS
Mais só contar com a boa vontade pra um evento é recorrer a fé!!