terça-feira, 18 de maio de 2010

INDAGA 2: NÃO FAÇO QUESTÃO DE SER INTELIGENTE parte 01: minha burrice musical


“Vocês esteve com os professores


E eles adoraram seu jeito de ser;

Você já conversou sobre leprosos e vigaristas com advogados,

Você já leu todos os livros de Francis Scott Fitzgerald

Você é um cara que realmente sabe das coisas”

(Bob Dylan, Ballad of a thin man)



Tem uns caras que me cansam. São amigos meus, eu sei. Mas me cansam. Um bom gosto forçado da porra quando o assunto é música ou literatura – porque filme ninguém resiste a um enlatado americano, como se Duro de Matar fosse mais edificante que Sidney Magal (apesar d’eu concordar que Rita Cadilac é foda!!!)



Mas o caso agora é o seguinte: existe um bom gosto litero musical tachado pela elite que vem nos descendo goela abaixo como uma ejaculação masculina indesejada em nossa boca. Violento, nojento e grudento a forma que os mestres do bom gosto exaltam seus heróis e desclassificam os que não caem em sua boa graça.



E eu não estou falando da elite que rebola funk e qualquer outro lixo espalhado pela mídia, o entretenimento que desce lobotomia abaixo para as antenas periféricas das casas humildes, aqueles que não tem acesso a uma boa música e quando tem acham-na tão estranha e diferente que fogem com medo, achando que é um lixo pré histórico que deveria estar na TV cultura com aquelas outras bobagens que ninguém entende.



Estou falando de uma cultura popular que é desprezada e ridicularizada por uma classe artística formada nas universidades da vida e não aceitam, por exemplo, a expressão artística de um Frankito Lopes, Diana, Fernando Mendes, Odair José, Bianca, Reginaldo Rossi ou um Bartô Galeno. São geniais, sim. Eu só não entendo porque esta genialidade só é aceita quando Caetano, Zeca Baleiro ou Arnaldo Antunes gravam. Ou será que artistas tão nobres e elitistas tem um péssimo gosto musical? Realmente, pode ser que eles não entendam de música, o que vocês acham?



Pois, eu gosto destas coisas. Pronto: sou burro mesmo, ignorante por enxergar alma neste tipo de música; simplório, de família de ignorantes que ouviam de rock n roll a vaquejada, de brega a música clássica, pessoas mais preocupadas em sentir a música ao invés de classificá-la. Algumas pessoas são assim mesmo, não entendem nada.



No mais, não deu pra ver o Sidney Magal na virada. O público tava meio estranho, sabe? Alegre demais, talvez. Assusta. Seria divertido ver o “cigano de araque disfarçado até o pescoço”. O cara é um entertainer, um artista de circo de variedades. Mentes mais apuradas podem ver no grostesco de seu trabalho artístico algo que se perdeu no tempo, nas feiras de variedades, universo muito pintado na era medieval até o final do século XVIII (vide “O Gabinete do Dr. Caligari”, “As sete caras do Dr. Lau” ou o recente “Carnívoro”). Pensando assim, acho que a inteligência está nos olhos de quem podem ver além do gosto pessoal. Caetano, mesmo, quando viu São Paulo pela primeira vez, chamou nossa cidade de mau gosto.



Pensando bem, acho que isto resume todo o caso: Narciso acha feio o que não é espelho – e eu tenho tantos amigos lindos...

10 comentários:

Tarcísio Hayashi disse...

Tema delicado. (ui!)

Cara, vou lhe dizer que já falei muita merda porque não conhecia estes caras. Aí ouço a música e gosto. Pergunto de quem é e me fodo... A vida não está fácil. Agora: Sidney Magal é complicado. Todas as músicas que ouvi até agora não rolaram. Não é porque o cara rebola que eu vou curtir =)

A parte o Cigano, concordo com o Claudemir. Rola um preconceito mermo. O povo nem ouve (eu inclusive) e fala merda. Mas Sidney Magal não rola véio.

Ainda mais quando você é enganado... Isso não se faz, e por isso houve a punição da Rita Cadillac. E digo mais: Quem me ludibriou ainda irá assistir o filme pornô da véia. Esta é a minha maldição huahauhau =)

Barbara Ramos disse...

Eu tinha dito ao Hayashi que seria legal ver o Sidney Magal, ao menos uma música, honestamente eu não curto o som, pelo menos não pra ficar ouvindo, mas um show seria bacana, ainda mais porque me remeteria (lá ele!) a infância. Mas realmente aquele publico era puia pura e Rita Cadillac num rola, mas que foi engraçado foi.:)

Claudemir "Dark'ney" Santos disse...

Deus meu, por mais que eu queira minha inocência, tenho culpa no cartório. Desculpem, nunca mais deixarei meu "bom coração" nos colocar em situação tal.
Hayashi não gosta de Magal mesmo pelo jeito. Não o culpo. Aliás, não incluiria Hayashi entre os mestres de bom gosto, afinal ele escuta muita porcaria também: o cara não faz questão de ser inteligente e seu cabelo, evidentemente não é safado.
No mais, quando informado sobre um gosto inusitado, Hayashi apenas duvida que a pessoa esteja falando sério e custa a crer. Raramente exibe indignação - e sempre indagação - mas não se acha mais inteligente por causa disto.
Mas, veinho, tem dia que a noite é foda e tem uns caras que são os mestres do bom gosto, de fato.
Aguardem a parte sobre literatura...

Nando Z disse...

RAPAZ, QUE INDAGA AINDA BEM QUE EU FIQUEI VENDO LIVING COLOR, MAIS O AROUCHE ESTAVA MEIO "FRESCO" DEMAIS E RAIMUNDO MARROM DE LÁ NAUN SAIU UM SEGUNDO!!

Claudemir "Dark'ney" Santos disse...

Marrom nem digo nada: trocou a Cantoria pelo Titãs.

Rabe disse...

Irmão vou te dizer, todos estes citados e mais... (Roberta Miranda,Amado Batista) São mesmo ruins,posso até dar um descontinho e salvaguardar uma ou outra criação o resto tô incenerando! Tem umas mentiras neste pais que não dá para ouvir, dentre elas um tal Roberto Carlos, que é rei; de Quê? Ah! Vamos deixar disto de ser moderno brega!

Tarcísio Hayashi disse...

Bicho, Roberto Carlos de fato não é rei, mas é um bom compositor. Debaixo dos caracóis do seu cabelo, por exemplo, é uma puta música legal... E tem outras. Se pegarmos a obra toda do cara, tem composições de peso. Tem merda também, mas não é só isso...

E a questão toda não é ser brega moderno. É não ter preconceitos. Pois é aquilo que já foi dito: quando Otto grava, quando Arnaldo Antunes grava, o povo gosta. Agora se não é com algum figurão vira merda.... pera lá.... tem alguma coisa errada aí

Blog do Akira disse...

Humildemente quero indicar o Amado Edilson, o maior de todos, o rei da vaquejada. Mau gosto ou não, gosto mesmo, até sair sangue.
O primeiro teatro que eu vi na minha vida, furei por baixo da lona do Gran Circo Motinha e Nhá Fia, em Lucélia, interior de São Paulo, onde eu morava, eu devia ter uns 07 anos de idade, portanto há 50 anos atrás, e as cenas me pegaram para sempre. Zé Fortuna matou Pitangueira e Zé do Fole com 02 tiros certeiros no coração, depois matou Nhá Fia e se suicidou nesse amor de 05 lados. Dramalhão mexicano ou puro Sheakespeare? (será que assim que se escreve?).

Blog do Akira disse...

Amor de 04 lados.

Claudemir "Dark'ney" Santos disse...

Roberto Carlos foi o rei do ié ié íe jovem guarda no Brasil da década de 60, isto é um fato e não dá pra negar. Os compositores citados são bons no estilo que se propoem a fazer. Não dar pra comparar Amado Batista e Chico Buarque pois ambos estão em praias diferentes. Tem gente que acha Chico Buarque ruim e tirando uma outra tocaria fogo na obra do cara. Ser humano é isto mesmo. Mas a questão, como bem disse Hayashi é o tal do preconceito. É vc ouvir Chico Buarque cantando Amado Batista, achar que a música é do Chico e achar a letra genial. Aí, neguinho, se tu der uma desse, se queima, viu!